As melhores praias da Ilha Grande (e como chegar)

Mapa da Ilha Grande, Brasil, com suas praias e comunidades de pescadores numeradas de 1 a 23 — de Praia Vermelha e Araçatiba a oeste até Lopes Mendes, Caxadaço e Castelhanos a leste, com a Vila do Abraão no centro.
As principais praias e comunidades da Ilha Grande, numeradas 1–23 — mapa ilustrado por visitilhagrande.com. Toque no mapa para ir à lista abaixo.

A Ilha Grande tem cerca de 113 praias. Ela fica na baía de Angra dos Reis — um arquipélago famoso por suas 365 ilhas — então, entre longas faixas de areia branca, enseadas escondidas e lagoas turquesa, você poderia passar semanas e não ver todas. Quase nenhuma tem estrada: você chega a pé, pelas trilhas sinalizadas, ou de barco.

Se você tem só alguns dias, em resumo: Lopes Mendes pela praia icônica, Lagoa Azul pelo snorkel em água turquesa e calma, Aventureiro por um clima selvagem de fim de mundo, e Dois Rios pela história e o cenário dramático. Abaixo, como chegar a cada uma e mais uma dúzia que vale a viagem.

Escolhas rápidas

PraiaComo chegarBoa para
Lopes MendesTrilha (T10+T11) ou escuna até Pouso + T11A praia icônica, ondas leves
Lagoa AzulPasseio de escuna / lanchaSnorkel, água calma
Dois RiosTrilha (T14) ou passeio de barcoHistória + cenário
Lagoa VerdePasseio de escuna / lanchaSnorkel, famílias
PalmasTrilha (T10)Uma parada tranquila antes de Lopes Mendes

Praias acessíveis a pé desde o Abraão

A Vila do Abraão é a sua base na ilha, e é o único lugar de onde dá para partir a pé. Quase todo o resto da Ilha Grande se alcança de barco — mas há um trecho surpreendente de costa que você consegue chegar com nada além de um bom calçado e uma garrafa d’água. Aqui vão minhas sugestões, primeiro pelo sentimento; os números para planejamento estão guardados numa linha Bom saber sob cada caminhada.

Uma coisa antes de sair: as praias ao norte do Abraão são gloriosamente selvagens — sem vendedores, sem quiosques, nenhum lugar para comprar uma bebida ou um lanche — então leve a sua própria comida e água. As praias a leste da vila têm mais estrutura, e marquei exatamente onde dá para comer.

Rumo ao norte: Praia Preta e Praia do Galego

Uma caminhada plana e tranquila, e o escape mais próximo da vila — praiazinhas selvagens onde ninguém tenta te vender nada.

  • Praia Preta — uma meia-lua selvagem de areia escura, de aparência quase vulcânica, limpa e silenciosa, o escape mais próximo da vila. ~10 min a pé, plano.
  • Praia do Galego — tranquila e um pouco mais adiante, com água deliciosamente limpa, alcançada passando o costão do rio e as ruínas do antigo lazareto (o histórico hospital de quarentena). Um pouco além da Praia Preta, plano.

Bom saber. Todo esse trecho ao norte é o Circuito Histórico (trilha T1): praticamente plano, abrangendo o antigo aqueduto, a Praia Preta, a Praia do Galego e as ruínas do lazareto. Conte com 40 min no ritmo de um casal jovem, até 1 h num ritmo mais leve. Selvagem do começo ao fim — leve a sua própria comida e água.

Rumo a leste: Júlia, Crena e Abraãozinho

Siga a trilha costeira em direção ao leste e você vai costurando uma série de praias, terminando num dos meus lugares preferidos para um dia relaxado. O caminho é agradável, mas um pouco intrincado e acidentado — exige atenção, o esforço é médio-baixo, e há um trecho peculiar que descrevo abaixo.

  • Praia da Júlia — a primeira parada, com um parador (bar de praia). É a mais barulhenta e festeira — lotada, cara, com a música no volume máximo — boa para o agito, mas não é onde eu comeria. ~15 min.
  • Comprida e Bica — duas praiazinhas logo depois da Júlia, não especialmente bonitas; a maioria das pessoas simplesmente passa por elas.
  • Praia da Crena (bifurcação à esquerda) — uma enseada calma de água plana, “passada a ferro”, feita para nadar, stand-up paddle e caiaque; um clima tranquilo, às vezes com alguém dedilhando um violão — um arzinho de luau. ~30 min.
  • Abraãozinho (bifurcação à direita) — a minha escolha das três para um dia relaxado e uma refeição: uma faixa longa e larga de areia, ondas suaves e água lindamente cristalina, música lounge tranquila e nada invasiva, e restaurantes — dois lugares brasileiros em uma extremidade e um ótimo bar-restaurante argentino na outra. Há também um ponto fixo de táxi-boat. ~30 min.

Bom saber. Caminhada bastante fácil, mas intrincada e acidentada — e escorregadia se tiver chovido. Em certo ponto, casas irregulares bloquearam o caminho original, então uma curta descida te leva até a praia e por uma passagem estreita junto ao costão (uma cornija), com degraus e pedras escorregadias equipadas com cordas fixas. É bem divertido, embora não seja para todos — e vale a pena.

⚠️ Marés — faça esse trecho de manhã. A partir das 15h, mais ou menos, a maré costuma subir, e na maré alta alguns trechos te obrigam a vadear pela beira d’água — você pode se molhar até a cintura. Faça a caminhada pela costa leste de manhã, ou esteja preparado para se molhar.

🚤 Táxi-boat (Crena / Abraãozinho). Cerca de R$50 ida e volta. Os barcos oficiais são pretos e amarelos. Funcionam a partir das 9h30 mais ou menos (não antes — precisam de um número mínimo de passageiros), saem entre 9h30 e 13h e voltam até por volta das 17h30–18h. Não saia às 17h30 esperando conseguir carona. Uma ótima opção: ir a pé e voltar de barco.

A caminhada da cachoeira: Cachoeira da Feiticeira

Esta é para uma caminhada um pouco mais longa mata adentro. Você sobe de forma constante por uma mata quente e úmida até a Cachoeira da Feiticeira — uma queda d’água e piscina natural que é gloriosa no verão, depois do calor da caminhada. Avance um pouco mais e você desce até a Praia da Feiticeira, uma praia pequena e muito bonita.

Prático — Feiticeira (trilha T2). O percurso vai Abraão → bifurcação do parque → aqueduto → bifurcação da cachoeira → cachoeira → Praia da Feiticeira. Cerca de 1h30 até a cachoeira, depois mais 20–30 min de descida até a praia. Chega no máximo a cerca de 160 m e sobe de forma constante — uma caminhada bastante nobre, que se faz de uma vez. Da Praia da Feiticeira você pode pegar um barco de volta ao Abraão e poupar a subida de retorno.

As caminhadas mais longas: Palmas, Lopes Mendes e Dois Rios

Algumas das praias mais famosas da ilha também são alcançáveis a pé desde o Abraão — mas estas são caminhadas de verdade, não passeios. Aqui estão os tempos de caminhada só de ida para ajudar no seu planejamento; cada praia tem a sua própria seção completa em outro ponto deste guia.

PraiaTrilha(s)Só de ida, a pé
PalmasT10cerca de 1h40
Lopes MendesT10 + T112h30–3h15 (conforme o ritmo)
Dois RiosT147,2 km, cerca de 2h30

As mais famosas

Lopes Mendes

Praia de Lopes Mendes, Ilha Grande, areia branca e água turquesa

A praia por que todo mundo vem — e que cumpre o que promete. Quase 3 km de areia fina e clara, tão fina que quase “canta” sob os pés, com mata atlântica preservada atrás e água clara e rasa. Está sempre nas listas das melhores praias do Brasil (e do mundo). Tem ondas suaves, que a tornam queridinha dos surfistas iniciantes, e só algumas barracas rústicas vendendo bebida e petiscos — quase nenhuma estrutura.

Os barcos não atracam na própria Lopes Mendes. O jeito mais comum é uma escuna do Abraão até a Praia do Pouso (cerca de R$70 ida e volta) ou um táxi-boat mais rápido (cerca de R$100 ida e volta) — veja os horários exatos e as tarifas só de ida no planejador de dias abaixo, e depois a curta trilha T11 (~1 km, 30–40 min) por cima do costão. Você também pode fazer todo o caminho pela T10 + T11. Veja o trajeto completo no nosso guia de trilhas.

Dois Rios

Vista aérea da baía de Dois Rios, Ilha Grande, praia em ferradura onde um rio encontra o mar

Uma praia dramática numa enseada entre dois morros íngremes, emoldurada pelos dois rios de água doce que dão nome a ela — água escura, mas limpa e fresca. Atrás fica o vilarejo quase fantasma da antiga prisão de segurança máxima (1904–1994), hoje um museu e um campus universitário aos poucos tomado pela mata. Chega-se a pé pela T14 (~7 km) ou em passeio de barco. Há pouca estrutura, então leve água e comida. Detalhes completos da caminhada no nosso guia de trilhas.

Água calma & snorkel

Lagoa Azul

Vista aérea da Lagoa Azul, Ilha Grande, lagoa turquesa de mergulho com bar flutuante

Não é uma praia, mas uma lagoa turquesa e rasa entre ilhotas, no lado norte da ilha, com água calma e cristalina cheia de peixes — a parada de snorkel símbolo da ilha, um verdadeiro aquário natural. É presença certa em quase todo passeio de escuna e lancha. Leve (ou alugue) uma máscara; a água calma é ideal para iniciantes e famílias.

Lagoa Verde

Vista aérea da Lagoa Verde, Ilha Grande, lagoa de mergulho verde-azulada e abrigada

Outra lagoa de snorkel abrigada, de águas esmeralda, mais perto do Abraão, com água calma e muitos peixes e ótima visibilidade submarina. Como a Lagoa Azul, é parada padrão dos passeios de dia e um lugar tranquilo e fácil para entrar na água.

Mais calmas & remotas

Palmas

Vista do alto da baía turquesa e da praia de Palmas, Ilha Grande

Uma praia calma e bonita na trilha T10 entre Abraão e Pouso — um lugar natural para uma pausa (e um mergulho) no caminho para Lopes Mendes.

Caxadaço

Vista aérea da enseada de Caxadaço, Ilha Grande, água turquesa e areia dourada

Uma pequena enseada linda perto de Dois Rios, alcançada pela trilha (T15) ou de barco. É mais que uma praia: Caxadaço é também um mirante e um conhecido ponto de salto dos costões (clavados) em água funda e clara — com bom snorkel entre as pedras.

Aventureiro

Praia do Aventureiro ao pôr do sol, Ilha Grande, com seu coqueiro inclinado

A praia selvagem mais famosa da ilha, no lado sudoeste exposto, dentro da Reserva Biológica da Praia do Sul — remota e longe das demais, nada parecida com as enseadas a que se chega em dez minutos. É uma antiga comunidade de pescadores famosa pela icônica palmeira tombada pelo vento sobre a areia e pelas ondas fortes do Atlântico. Por estar dentro de uma reserva biológica rígida, não é permitido surfar ali, e o número de visitantes e o camping são regulados. Chega-se de barco, ou por terra pela trilha T9 a partir de Provetá (~4,3 km) — não a pé desde o Abraão. Uma visita curta não exige autorização, mas permanecer por mais de duas horas requer autorização, e é por isso que os passeios de barco param por ali cerca de 1h30. Vá pelo clima cru, fora do mundo, não por quiosques de praia.

Parnaioca

A ampla e quase deserta praia em ferradura de Parnaioca, com uma figura solitária, Ilha Grande

Uma das praias mais remotas, na costa sul — uma antiga vila de pescadores alcançada por uma longa trilha (T16 a partir de Dois Rios) ou de barco. Grande, selvagem e quase deserta; para quem busca a verdadeira solidão. Há um camping simples, para armar a barraca e passar a noite.

Meros

A enseada turquesa e calma da Praia do Meros, Ilha Grande, com barcos ancorados

Uma praia tranquila no lado oeste da ilha, perto da área de Provetá/Aventureiro — pacata, longe das multidões, e com bom snorkel.

Gruta do Acaiá

Mergulho livre na água azul luminosa da Gruta do Acaiá, Ilha Grande

Não é uma praia, mas uma impressionante gruta marinha, semissubmersa e acessível somente de barco. Sua magia é a luz: quando o sol bate na entrada no ângulo certo, a água por dentro brilha num azul elétrico, enquanto o mar ressoa em paredes de rocha esculpidas pelas águas ao longo de milhares de anos. Costuma ser visitada num passeio de dia que também para nas lagoas de snorkel (Lagoa Azul, Lagoa Verde) e na enseada tranquila de Grumixama.

Passeios de barco: a ilha pelo mar

A maior parte da Ilha Grande nunca conheceu uma estrada. As praias que fazem você parar no meio de uma frase — enseadas turquesa, baías de mergulho onde os peixes vêm até você, grutas marinhas que brilham — ficam num litoral que só dá para alcançar de barco. Um dia de barco aqui é o mais perto que dá de ver a ilha como os pescadores caiçaras sempre viram: devagar, a partir da água, uma baía de cada vez. Se você fizer só um passeio durante a sua estadia, este é o dia cujas fotos você vai mostrar para as pessoas por anos.

Alguns desses lugares também dá para chegar a pé (e a um deles eu insistiria que você fosse caminhando — mais sobre isso abaixo), mas o sul de mar aberto, as lagoas calmas do norte e as ilhas externas do arquipélago de Angra são território de barco. Todos os passeios partem do píer do Abraão, a poucos minutos da vila.

Antes de reservar. Considere qualquer passeio de barco como o seu dia inteiro — eles começam no fim da manhã e voltam no fim da tarde, então planeje apenas o café da manhã e o jantar em torno deles. Cada passeio encadeia cerca de cinco paradas (mais ou menos quatro praias ou pontos turísticos mais uma parada para o almoço, cada uma com cerca de uma hora). E lembre-se: os barcos não podem navegar depois do anoitecer, então ninguém volta mais tarde do que por volta das 17h30. Os horários de saída são fixos (você não pode pedir a um passeio compartilhado para sair mais cedo ou voltar mais tarde — para isso existe o aluguel privado), então é só reservar com um ou dois dias de antecedência; os bons lotam.

Sul de mar aberto: as praias do Atlântico (Super Sul, Volta à Ilha)

Este é o lado de tirar o fôlego — a costa atlântica selvagem, a água mais procurada e mais bonita da ilha. Se você quer as praias de azul em degradê, de fim de mundo, é para o sul que se vai.

A Super Sul é a coletânea dos destaques do sul num único dia: um rápido olá a Lopes Mendes (a praia icônica), um mergulho na Ilha de Jorge Grego (uma ilhota de mergulho), o mirante no alto do penhasco do Caxadaço — onde o degradê de cores é sinceramente melhor do que a praiazinha lá embaixo — e uma parada para o almoço na histórica Vila de Dois Rios. Paradas: Lopes Mendes · Jorge Grego · Caxadaço · Dois Rios (almoço).

Uma palavra sobre Dois Rios de barco. Chegar lá de barco significa fazer uma transferência para um barco local da vila em mar aberto, e a cozinha minúscula não foi feita para um grupo de passeio — as esperas podem comer boa parte da sua parada. Eu iria a pé até Dois Rios em vez de correr no barco — veja o guia de trilhas. A vila, seus rios e o antigo museu do presídio merecem horas sem pressa, não um almoço apressado.

A Volta à Ilha é o grande passeio — a volta completa em torno de toda a ilha, e o dia mais longo na água. Você sente a escala e a natureza selvagem do lugar. Ela liga o Caxadaço (mirante no alto do penhasco) a duas das melhores praias do sul, Parnaioca (água turquesa espetacular) e Aventureiro (lar da famosa palmeira inclinada a 90°, que os viajantes mais experientes vão reconhecer de um antigo papel de parede do Windows), e depois encerra a parte marítima em Meros (uma baía de mergulho onde os pescadores deixam seus barcos descansando, então os peixes se juntam perto da costa). A vida marinha da costa oeste é a estrela discreta deste passeio. Paradas: Caxadaço · Parnaioca · Aventureiro · Meros · almoço.

Almoço — leve o seu. Em quase todos os passeios, o almoço não está incluído, e o ponto de almoço é uma plateia cativa escolhida pelo marinheiro — sem avaliações no Booking ou no Google para manter o lugar honesto — então o custo-benefício e a qualidade podem ser irregulares. Meu conselho: leve seus próprios sanduíches, frutas, lanches e bebidas, e não tenha vergonha disso. Se você comer fora, atenção ao básico — isto é o Brasil, a água da torneira não é potável, e eu desconfiaria de camarão ou gelo. Ninguém quer passar a segunda metade das férias passando mal.

O norte calmo: as duas lagoas (Meia Volta, Gruta do Acaiá)

A glória do norte é sua água protegida. As duas lagoas — a Lagoa Azul, valorizada pela transparência, e a Lagoa Verde, onde quase sempre há tartarugas por perto e a cor da água muda drasticamente — oferecem o mergulho mais calmo e mais cristalino da ilha, perfeito para famílias e para quem nada com receio. (Uma nota de honestidade sobre a Lagoa Azul: obras recentes nas redondezas começaram a perturbar o fluxo natural da água.)

A Meia Volta é a meia-volta tranquila — uma introdução fácil e bonita ao lado calmo, abrangendo as duas lagoas mais a Praia do Amor e a Praia da Feiticeira (aquela à qual também dá para chegar a pé). Um primeiro dia delicioso na água, caso o mar aberto pareça demais. Paradas: Lagoa Azul · Lagoa Verde · Praia do Amor · Praia da Feiticeira.

A Gruta do Acaiá é a versão turbinada — e a coisa mais memorável que você pode fazer no lado calmo, desde que você não seja claustrofóbico. A própria Gruta do Acaiá é uma gruta marinha com água luminescente: você entra na rocha por uma rampa de cerca de 50° de inclinação (uma ladeira, não uma temperatura), precisa engatinhar, e o ponto mais estreito tem apenas 80 cm de largura. A recompensa é deslumbrante — água que brilha em azul ou verde, às vezes fosforescente, pela refração da luz dentro da fenda. O passeio combina isso com as duas lagoas e a minúscula e pitoresca enseada de Grumixama (uma enseada minúscula). Paradas: Gruta do Acaiá · Lagoa Verde · Lagoa Azul · Grumixama. (Alguns operadores fazem uma versão mais cedo — veja a tabela.)

Dica — vale a pena perseguir a saída cedo. A versão mais cedo do passeio da Gruta leva você aos dois pontos mais a oeste (a gruta e a Lagoa Verde) antes da multidão, e funciona como um plano perfeito para o dia do check-out: se a sua pousada oferecer late check-out, dá para estar de volta no meio da tarde para um banho quente e uma toalha limpa antes do seu transfer da noite.

As ilhas de Angra: o arquipélago das celebridades (Ilhas Paradisíacas)

São essas as ilhas que inundam o seu feed — aqueles cliques de turquesa em degradê, areia branca e cara de “isso é Photoshop?”. São genuinamente paradisíacas e, na verdade, não ficam na Ilha Grande: estão lá fora, na baía de Angra dos Reis, em torno da Gipóia, bem pertinho de Angra. A boa notícia é que você não precisa caçá-las uma a uma — um único passeio, o Ilhas Paradisíacas, embrulha o arquipélago inteiro, cerca de uma hora em cada parada, e mesmo assim sai do píer do Abraão, como tudo por aqui.

☀️ Só em dia de sol — sem meio-termo aqui. Mais do que qualquer outro passeio, este vive ou morre pela luz. Dê a ele um dia inteiro, sem uma nuvem, e você ganha as fotos inesquecíveis e uma água que não parece real. Sob nuvem ou chuva, as cores desmoronam e simplesmente não vale a pena.

Cataguás — atravesse a pé entre quatro ilhotas. É por onde eu começaria a sua imaginação. Não é uma ilha só, são quatro ilhotinhas, e a mágica é esta: chegue cedo, antes de a maré subir, e dá para atravessar a pé entre elas com a água só até o tronco — sem nadar de uma à outra, apenas caminhando por um turquesa ultracristalino sobre areia branca e fininha. É espetacular e, sinceramente, uma das minhas praias preferidas em toda essa região.

Praia do Dentista (Ilha da Gipóia) — a joia esmeralda. É a que a maioria dos visitantes coroa como a mais bonita de todas as ilhas paradisíacas — e eu não vou discordar. A água é de um verde quase esmeralda, muito característica, diferente de tudo no restante do roteiro — morna, transparente, do tipo em que você entra e não quer mais sair. É uma praia comprida e vale a pena percorrê-la de ponta a ponta: a areia é média a grossa e meio amarelada no miolo, mas nas pontas secas fica esbranquiçada, o que já é motivo suficiente para caminhar até os extremos.

Cuide do que não é seu — como se fosse seu. A assinatura do Dentista era uma palmeira centenária que crescia inclinada, quase na horizontal sobre a areia, antes de se erguer — o cartão-postal preferido de todo influenciador e de todo casal que passava por ali. Alguns anos atrás, uns jovens subiram e pularam nela, e ela quebrou. Hoje não existe mais. Mas o que ficou comigo não foi a perda — foi ver os moradores, gente nascida e criada nessas águas, em lágrimas, todos juntos erguendo aquela palmeira, talando, tentando salvá-la. Uma palmeira, sim. Mas era deles: o equivalente, na infância, ao brinquedo mais querido, onde haviam amarrado redes, subido, caído e crescido. Aquilo me tocou fundo e me aproximou desta comunidade. Então é isto o que eu peço a você: cuide do patrimônio dos outros como se fosse seu — porque, quando todo mundo cuida, ele deixa de pertencer a alguém e passa a pertencer a todos nós.

Botinas — o melhor mergulho, sem praia. Duas ilhotinhas, com um vago formato de bota, daí o nome — mas, na real, são ilhas sem praia: imagine duas pedras, cada uma coroada com o que parece um buquê de palmeiras. O motivo de parar aqui é a água entre elas: supercristalina, morna, com cardumes de peixes de todas as cores. Um dos pontos de mergulho mais lindos de todo o roteiro.

A ressalva honesta das Botinas: peixes lindos, água movimentada. A poucos metros, a leste e a oeste de onde te deixam para nadar, há um tráfego intenso de lanchas indo e vindo entre Cataguás, Flechas e a Gipóia. Por isso o mar aqui nunca é aquele espelho de calmaria que você encontra na Lagoa Azul ou na Lagoa Verde — existe um marulho constante, quase artificial, vindo das esteiras dos barcos. Agora você já sabe antes de pular.

Ilha da Piedade — a simbólica, e a menos bonita. Uma ilhota pequena, quase ligada à Ilha da Gipóia por um banco de areia. É bonita, tem uma capelinha e, em dia de muito sol, parece “dividir as águas” — um tom mais azul de um lado e mais verde do outro, mesmo sendo exatamente a mesma água. Vou ser franco com você: é a menos bonita das quatro paradas, nada deslumbrante. O que ela carrega é peso simbólico. Por 30 anos, foi a famosa “Ilha de Caras”, mantida sob uma longa concessão pela Caras, a revista de celebridades lida por toda a América Latina — Argentina, Brasil e além. As estrelas todas posaram aqui. Se você cresceu com a Caras, isso significa muita coisa; se não, vai significar pouquíssimo — e está tudo certo.

Quer uma parada de verdade para almoçar? Peça a versão com a Flechas. Alguns passeios — não todos — cortam a Piedade e colocam a Praia de Flechas no lugar, e, para o visitante estrangeiro, essa costuma ser a melhor escolha, porque a Flechas é uma parada onde dá para comer de verdade. É muito bonita, tem restaurante, a água é mais verde e bem calma, e lembra bastante o Abraãozinho — só que mais deserta. Se uma parada fixa para o almoço pesa mais para você do que uma nota de rodapé sobre celebridades, peça-a na hora de reservar.

São essas as ilhas de Angra que valem a visita, e a sorte é que todas chegam neste mesmo passeio. Escolha o seu dia de sol e deixe rolar.

Passeios alternativos (Jerónimo, Caipirinha, Passeio do Índio, fretamento privado)

Nem todo dia na água precisa ser o circuito padrão de lancha. Alguns têm personalidade própria de verdade.

O passeio do Jerónimo é o descontraído, levemente hippie, feito numa traineira tradicional com um guia trilíngue. Você sobe a pé para ver a Freguesia de Santana (um povoado histórico), passeia ao longo da linda praia da Freguesia de Fora, passa a tarde na Lagoa Azul e almoça no Saco do Céu, com caiaque, mergulho e SUP de brinde. O mais importante: é um dos pouquíssimos passeios que inclui o almoço — fácil de organizar e que vale muito a pena.

O passeio Caipirinha é o barco da festa — um anfitrião “Jack Sparrow”, caipirinhas grátis para todos, navegando numa escuna ou galeão. Frequente na alta temporada, almoço a bordo opcional (pago à parte ou comprado antecipadamente).

O Passeio do Índio acontece numa canoa canadense — à noite para ver o plâncton luminescente, de dia em viagens personalizadas. Uma alternativa adorável e discreta, e que vale a pena.

O fretamento privado de barco é a opção da liberdade: até 10 passageiros (oito é o número confortável para dividir o custo), totalmente personalizado — duas a quatro horas por ponto em vez da hora apressada, uma saída mais cedo e um retorno um pouco mais tarde. A única regra inflexível continua valendo: nada de voltar depois do anoitecer, por volta das 17h30.

Num relance: passeios, roteiros e preços aproximados

Os preços abaixo são aproximados, por pessoa e oscilam conforme a temporada — encare-os como um guia, não como um orçamento. Uma coisa que surpreende as pessoas: a Super Sul custa mais do que a Volta à Ilha, que é mais longa — e não é erro de digitação. É o único passeio que cruza mar aberto até a Ilha de Jorge Grego, o que exige um barco maior e mais potente (e mais caro) do que o dos outros. Onde uma célula diz consultar na reserva, o detalhe varia de verdade e é melhor confirmar na hora.

PasseioRoteiro numa fraseHorário~Preço/pessoaAlmoço
Super Sul (lancha)Destaques do Atlântico sul10h30–17h00~R$300Não incluído
Volta à Ilha (lancha)Volta completa em torno da ilha09h30–17h30 (o mais longo, ~8 h)~R$200Não incluído
Meia Volta (lancha)Meia-volta tranquila, as duas lagoas10h30–16h30 (~6 h)~R$150Não incluído
Gruta do Acaiá (lancha)Gruta marinha + as duas lagoas10h30–17h30 (algumas 09h00–16h00, ~7 h)~R$200Não incluído
Ilhas Paradisíacas (lancha)Ilhas de Angra/Gipoia10h30–17h30~R$170–180Não incluído
Jerónimo (traineira)Freguesias, Lagoa Azul, Saco do Céu09h30, ~7–8 h (flexível)~R$250Incluído
Caipirinha (escuna/galeão)Cruzeiro festivo, caipirinha grátis11h30–17h30Consultar na reservaOpcional (pago/comprado antes)
Passeio do Índio (canoa canadense)Plâncton à noite, sob medida de diaSaída ~5–6h (flexível)Consultar na reservaConsultar na reserva
Fretamento privado (barco sob medida)Totalmente personalizado, até 10 pessoasSob medida (sem retorno depois das ~17h30)~R$1.500/passeio (~R$1.400–2.000)Consultar na reserva

Não citei nomes de operadores de propósito — barcos e preços mudam de mãos com frequência por aqui. Qualquer agência da orla do Abraão vende esses mesmos passeios; a tabela acima diz o que esperar e, para os passeios de dia inteiro, insista numa lancha.

CF ou lancha? Escolhendo o seu barco

Resumo: uma travessia curta de barco-táxi (um “CF”) está de bom tamanho — mas para um passeio de dia inteiro de verdade, principalmente a Volta à Ilha, pague um pouco mais e vá numa lancha maior. Na hora de reservar, pergunte que tipo de barco é e peça que confirmem. Parece preciosismo; não é — é uma diferença que você sente no estômago lá pela metade da tarde.

CF (barcos-táxi)Lancha (a maior)
CascoLongo e fino, “de anchova”Mais superfície, mais flutuabilidade
SensaçãoÁgil, mas balança a cada ondaBem mais estável e segura
MotorUm único motorDois motores, ou um bem maior
CustoMais baratoUm pouco mais
Ideal paraTravessias curtasUm passeio de verdade / Volta à Ilha

Um CF é o nome local de um tipo de casco. Tecnicamente um CF é uma lancha, mas o casco longo e fino perde flutuabilidade: é ágil, roda com um único motor — e balança a cada onda que passa. Todos os barcos-táxi são CFs. Uma lancha maior tem mais área e flutuabilidade, então é mais estável e segura; a manutenção dela é regulamentada e mantida em dia, e custa um pouco mais.

Por que isso importa. Num passeio em que você fica boiando e parado — digamos, balançando na Lagoa Azul — um CF balança a cada onda e pode, sem você perceber, te deixar enjoado, enquanto uma lancha maior fica ali firme enquanto você faz snorkel.

Um balanço honesto. Nada disso quer dizer que você deva evitar os barcos-táxi — todos eles são CFs, e cada tipo de barco tem seu uso e sua função. Uma travessia curta é exatamente para o que serve um CF. O que você não dá conta de fazer num barco-táxi é a Volta à Ilha completa; um barqueiro experiente conseguiria, mas, como turista, você não deveria. Então a dica é simples: para um passeio de verdade, pague um pouco mais e vá de lancha, reservada por uma agência conhecida e física.

De quantos dias você precisa?

De cinco a sete dias é o ideal — mas, sejam quais forem as suas datas, veja aqui como aproveitar ao máximo.

Só 2–3 dias? Seu roteiro rápido

Viagem curta? Mesmo assim dá para conhecer o melhor da ilha. Aqui vai a versão sem complicação:

  • Dia 1 — Lopes Mendes. A praia que você não pode deixar de ver (veja como mais abaixo).
  • Dia 2 — Um passeio de barco. Se o dia estiver cinzento, faça a Volta à Ilha (o circuito completo pela ilha). Se estiver ensolarado, deixe a volta para outra hora e escolha um passeio que aproveite melhor o sol.
  • Dia 3 (se você tiver) — o Circuito Histórico (trilha T1). Plano, fácil e bom para todo mundo.

Quatro dias? Acrescente um segundo passeio de barco — a Gruta do Acaiá (o passeio à gruta marinha) ou as Ilhas Paradisíacas (as ilhas de Angra). Mais sobre os dois logo abaixo.

O passeio imperdível: Lopes Mendes

Não importa o que mais o seu roteiro inclua, conheça Lopes Mendes. Há duas formas de chegar: caminhando, ou de barco, fazendo a pé apenas o último trecho.

  • A pé — trilhas T10 + T11 (as trilhas de Lopes Mendes), 2h30–3h15 só de ida dependendo do seu ritmo — uma trilha de mata de verdade, bem puxada, nada de passeio tranquilo; a volta é a parte mais lenta e mais difícil.

De barco. Dois serviços fazem a travessia do Abraão até o lado de Lopes Mendes: a escuna (com horário marcado, mais barata) e o táxi-boat (mais rápido). De qualquer forma, de onde você desembarca é uma curta caminhada até a Praia do Pouso, e depois a trilha T11/T12 (~1 km) até a praia.

BarcoSai deSaídaTravessiaDeixa você emSó idaIda e volta
EscunaCais principal do Abraão10h30 o ano todo (+9h30 e 11h30 na alta temporada)~50 minPraia dos Mangues, a ~50 m do PousoR$35R$70
Táxi-boatAbraãoa partir das ~10h30 (veja a nota)~15 minPraia do PousoR$60R$100

A volta da escuna sai do Mangues (a praia bem ao lado do Pouso — você atravessa a pé de volta) às 15h30 o ano todo (+16h30 e 17h30 na alta temporada, para aproveitar os longos entardeceres de verão).

Reserve do jeito certo — e o que evitar

  • Vá de manhã. Não vale a pena atravessar depois do meio-dia — e na hora do almoço o Brasil para para almoçar, então a orla fica vazia.
  • Reserve apenas pelo canal oficial: a escuna na bilheteria dela, ou o táxi-boat pela Central de Táxi-Boat oficial. Os táxi-boats oficiais são amarelo e preto e dão a você uma pulseira, assim eles sabem que precisam buscá-lo na volta.
  • Nunca pegue um táxi-boat qualquer na orla. Você corre o risco de pagar pela ida e volta e simplesmente nunca ser buscado — e aí pagar de novo para voltar. Isso acontece de verdade, digam o que os locais disserem.
  • O horário da sua volta de táxi-boat é definido na hora da compra (15h, 16h ou 17h, com retirada na própria Praia do Pouso) — respeite-o. Eles organizam os barcos com base nele; se você aparecer para um horário mais tarde e estiver lotado, não vão levá-lo.

Uma observação sobre os horários do táxi-boat: eles anunciam uma saída a cada 30 minutos a partir das 9h, mas cada barco precisa de um grupo mínimo antes de partir — então, na prática, conte com ~10h30 para a sua primeira travessia garantida, e depois a cada 30 minutos até o meio-dia.

Clima: Lopes Mendes é linda mesmo em dia nublado — então não desperdice uma manhã cinzenta esperando o sol aparecer. Só não faça o trajeto a pé na chuva ou no dia seguinte a uma chuva forte; nesses casos, vá de barco.

Deixe o céu decidir o seu roteiro

A maneira mais inteligente de organizar os dias aqui é deixar o tempo escolher a ordem. Olhe o céu e a previsão na véspera — se o amanhã estiver com cara de nublado, faça dele o seu dia de Volta à Ilha.

  • Um dia cinzento / nublado → Volta à Ilha (o circuito completo pela ilha). O passeio coringa: um dia inteiro na água, paradas lindas ao longo de toda a volta, e você chega em casa cansado, bronzeado e feliz. Cerca de 8 horas (09h30–17h30), ~R$200.

  • Seu segundo dia de barco → escolha pelo que você quer.

    • Quer aventura → Gruta do Acaiá (o passeio à gruta marinha). Duas lagoas onde você vai cansar de contar peixes, mais uma gruta luminescente que você não encontra em nenhum outro lugar. Cerca de 7 horas, ~R$200.
    • Quer ilhas de cartão-postal, com cara de Caribe → Ilhas Paradisíacas (as ilhas de Angra). Água calma e deslumbrante, uma ótima parada de mergulho com snorkel em Botinas e a parada principal, a Ilha da Piedade — a famosa “Ilha de Caras.” 10h30–17h30, ~R$170–180.
  • Um dia livre ou extra → pegue leve em terra.

    • O Circuito Histórico (trilha T1) (o circuito histórico plano) é excelente para todos — inclusive para quem está cansado, é mais idoso ou quer um dia mais tranquilo — porque é plano e fácil.
    • Acrescente a cachoeira da Feiticeira (trilha T2) (a subida da Feiticeira) se você estiver a fim de um pouco mais de esforço; vale muito a pena.
    • Ou vá até Abraãozinho e/ou Crena — dá para chegar a pé ou de barco.

Todos os detalhes dessas caminhadas e passeios estão nas seções de trilhas e passeios de barco acima.

Por que 5–7 dias?

Você consegue ver os destaques em dois ou três dias, mas alguns dias a mais transformam uma boa viagem em uma viagem inesquecível:

  • O tempo não é garantido. O sol vai e vem por aqui, então quanto mais dias você tiver, mais dias de bom tempo vai pegar — e mais fácil fica deixar o céu decidir o seu roteiro.
  • Há muito mais para fazer do que você imagina. Praias, trilhas e passeios de barco se acumulam rápido; dias extras raramente são desperdiçados.
  • Isso dilui o seu custo de viagem. Chegar até aqui não é barato (a ida e a volta, mais a Taxa Viva Angra de R$50 fixos — a mesma quer você fique 2 dias ou 30), e esses são custos fixos. Como num voo de longa distância, quanto mais tempo você fica, mais cada dia compensa — três dias mal pagam o esforço; uma semana ou duas valem de verdade. O dia a dia, alimentação incluída, é a parte barata.

As principais praias e comunidades, uma a uma

A Ilha Grande tem cerca de 113 praias — muito mais do que se poderia listar. Estas são 23 das principais (e as comunidades de pescadores), que correspondem aos pontos numerados do mapa acima, das enseadas calmas do norte e do oeste às praias atlânticas selvagens do leste.

Vilas e comunidades

  • 1

    Praia Vermelha

    Vila de pescadores caiçaras (~150 habitantes) no lado mais preservado da ilha, perto de Araçatiba; águas esverdeadas e calmas, algumas pousadas e restaurantes. Chega-se de barco desde Angra (~45 min) ou por trilhas. Bom ponto de mergulho.

  • 3

    Enseada de Araçatiba

    Vila de pescadores (~370 habitantes) numa enseada ampla com várias praias ligadas por trilhas e águas transparentes para snorkel. Só se chega de barco desde Angra (~25 min de lancha). Segundo polo turístico da ilha depois de Abraão.

  • 4

    Praia Longa

    Vila de pescadores e de cultivo de mexilhões, com a igreja de São Pedro em frente ao cais e a Cachoeira da Longa por perto. Chega-se de barco desde Angra (~25 min) ou por trilhas desde o Bananal ou Sítio Forte. Vilarejo tranquilo, com pouca estrutura.

  • 5

    Enseada de Sítio Forte

    Enseada central de águas mansas com várias prainhas (Tapera, Ubatubinha, Marinheiro…) e um paredão rochoso. Vila caiçara que vive da pesca e do cultivo de ostras e mexilhões. Só se chega de barco. Mergulho no naufrágio do Pinguino.

  • 6

    Enseada do Bananal

    Vila caiçara na costa norte (~370 habitantes) com herança japonesa — antigas fábricas de sardinha — e várias praias calmas para mergulho. Chega-se de barco ou escuna desde Angra, e por trilhas. Vilarejo tranquilo.

  • 10

    Saco do Céu

    Vila de pescadores numa enseada bem abrigada no norte, cercada de Mata Atlântica e manguezais, de águas calmas. Chega-se de barco desde Abraão ou pela trilha T02. Rústico, com pousadas e restaurantes de boa gastronomia.

  • 11

    Enseada das Estrelas

    Enseada do norte com uma pequena comunidade e praias semidesertas (Feiticeira, Camiranga, Perequê…), de águas cristalinas com estrelas-do-mar. Chega-se de barco ou por trilhas. Acesso à cachoeira da Feiticeira.

  • 12

    Enseada do Abraão (Vila do Abraão)

    A maior enseada e o povoado principal: a porta de entrada da ilha, com praia em forma de ferradura, comércios, pousadas e cais. Só se chega de barco desde o continente e não há carros. É daqui que saem as trilhas e os passeios de barco.

  • 13

    Enseada de Palmas

    Uma das vilas caiçaras mais antigas, muito pouco povoada e rústica (sem luz da rede), com palmeiras, campings e bares. Chega-se a pé pela trilha T10 desde Abraão (~4,7 km, ~1h40) ou de barco. É o acesso mais próximo de Lopes Mendes.

  • 19

    Dois Rios

    Vila histórica com praia de mar aberto, sede do antigo presídio Cândido Mendes (ruínas e museu) e de um centro da UERJ, ~150 habitantes; dois rios com cachoeiras e ondas para surfe. Chega-se a pé pela trilha T14 (~7,2 km, ~2h30) ou de barco. Não é permitido pernoitar.

  • 23

    Provetá

    Vila de pescadores no extremo oeste, a segunda maior comunidade da ilha (~1.500 habitantes), com praia abrigada de águas verdes e pouco turismo. Chega-se de barco desde Angra (~2 h) ou por trilhas desde Aventureiro ou Araçatiba. Mergulho na Ilha dos Meros.

Praias semidesertas e desertas

  • 2

    Itaguaçu

    Praia e enseada semideserta no sul, perto de Praia Vermelha e Araçatiba, habitada por uma única família (com pousada); águas calmas protegidas por rochas, ideais para snorkel. Chega-se de barco ou por trilha desde Araçatiba. Quase solitária.

  • 7

    Freguesia de Santana

    Comunidade histórica de pescadores no norte, berço do primeiro povoamento da ilha, hoje com ~50 moradores e a igreja colonial de Santana (1843). Praia calma, parada habitual das escunas.

  • 8

    Japariz

    Praia da costa norte com uma pequena comunidade caiçara e restaurantes à beira-mar, águas calmas e transparentes e areia clara. Chega-se de barco ou escuna (parada de almoço) ou por trilhas desde Abraão. Muito movimentada na temporada.

  • 9

    Funil

    Praia minúscula e selvagem (~10 m) escondida num corredor de vegetação, ao lado de Japariz, com águas de lago. Chega-se de barco (5 min de Japariz) ou por trilhas. Canto quase deserto, sem infraestrutura.

  • 14

    Jurubá

    Praia deserta e rochosa (~25 m) na costa leste, entre Palmas e o Farol de Castelhanos, cercada de mata e águas tranquilas. Chega-se a pé pela trilha T12 desde Pouso (~30 min) ou de barco. Isolada e quase intocada.

  • 15

    Castelhanos

    Praia rochosa e semideserta no extremo leste, junto ao histórico Farol de Castelhanos, com uma única família residente e sem serviços. Chega-se de barco ou pela trilha T12 desde Pouso (~1 h). Isolada, para visita de dia.

  • 16

    Lopes Mendes

    Longa praia de quase 3 km de areia branca e águas cristalinas na costa leste, desabitada e preservada, famosa pela beleza e pelas ondas para o surfe. Chega-se de barco até o Pouso + ~1 km de trilha (ou pela trilha completa desde Abraão).

  • 17

    Santo Antônio

    Pequena praia de areia fina perto de Lopes Mendes, com grandes rochas, um riacho de água doce e vista para a Ilha Jorge Grego; boa para snorkel e surfe. Só se chega a pé (trilha curta desde o Pouso). Quase sempre semideserta.

  • 18

    Caxadaço

    Enseada selvagem e quase deserta (~15–20 m) entre Dois Rios e Lopes Mendes, com piscina natural de rochas, águas cristalinas e bom snorkel. Chega-se de barco (costuma entrar na "Volta à Ilha") ou pela trilha T15 desde Dois Rios (puxada). Tem mirante e ponto de salto das rochas.

  • 20

    Parnaioca

    Praia atlântica isolada de quase 1 km, de areia grossa amarelada e mar aberto; outrora a maior vila da ilha (>1.000 habitantes), hoje um povoado quase deserto com ruínas e uma capela, sem luz nem sinal. Chega-se a pé pela trilha T16 desde Dois Rios (~3 h) ou de barco. Há camping para pernoitar.

  • 21

    Aventureiro

    Praia semi-isolada e preservada no extremo sul, dentro de uma reserva de desenvolvimento sustentável: vila caiçara com campings rústicos (sem hotéis, quase sem luz nem sinal) e mar aberto para surfistas. Só se chega de barco (1-3 h) ou pela trilha T9 desde Provetá (~4,3 km). Não é preciso nada para uma visita curta, mas permanecer mais de 2 horas exige uma autorização (por isso os passeios de barco param cerca de 1h30).

  • 22

    Meros (Praia dos Meros)

    Praia pequena e isolada no extremo sudoeste, acessível somente por mar (de lancha ou escuna, na "Volta à Ilha" ou desde Provetá/Araçatiba). Semideserta, de águas claras e areia muito branca, com excelente snorkel.

As 5 ilhas de Angra (um passeio de barco a partir de Abraão)

Estas não ficam na própria Ilha Grande, mas na vizinha baía de Angra dos Reis — cinco ilhas e bancos de areia paradisíacos, geralmente encadeados num passeio de barco de um dia a partir da Vila do Abraão.

  • A

    Dentista (Ilha da Gipóia)

    Praia de águas calmas e cristalinas (oficialmente Jurubaíba), na Ilha da Gipóia; só se chega de barco desde Angra (~30 min). Fundeadouro popular de lanchas e veleiros, ambiente social e bares flutuantes; durante a semana é mais tranquila.

  • B

    Cataguás

    Pequena ilha de areia branca e águas cor de Caribe em frente a Angra, sem serviços e cercada de peixes, ideal para snorkel. Só se chega de barco; é parada habitual dos passeios.

  • C

    Botinas

    Dois ilhotes rochosos gêmeos (em forma de botas) na baía, sem praia; só se chega de barco. Entre as duas ilhas forma-se uma piscina natural cristalina, tipo aquário, muito popular para snorkel e mergulho.

  • D

    Flechas (Ilha da Gipóia)

    Praia de areia extensa na Ilha da Gipóia, acessível somente de barco (~15-30 min de Angra). O lado esquerdo é preservado e tranquilo; o direito tem restaurantes e quiosques. Águas verde-azuladas; anima nos fins de semana.

  • E

    Piedade (Ilha da Gipóia)

    Pequena enseada de águas calmas e transparentes na Ilha da Gipóia, famosa pela capelinha (Igrejinha da Piedade) ao lado de uma faixa de areia. Só se chega de barco; é parada do passeio. Bucólico, ideal em família.

Perguntas frequentes

Quantas praias tem a Ilha Grande?

Cerca de 113. A ilha fica na baía de Angra dos Reis, um arquipélago famoso por suas 365 ilhas, então a variedade de praias e enseadas é enorme — muitas só se alcançam a pé ou de barco.

Qual é a melhor praia da Ilha Grande?

Lopes Mendes é a mais famosa — quase 3 km de areia fina e branca e água clara, sempre entre as melhores do Brasil. Para água turquesa e calma de snorkel, vá à Lagoa Azul; para um clima selvagem e remoto, Aventureiro.

As praias são alcançadas a pé ou de barco?

As duas coisas. Algumas (Lopes Mendes, Palmas, as praias do Circuito Histórico) chegam-se por trilhas sinalizadas a partir da Vila do Abraão. Outras, e as lagoas de snorkel como Lagoa Azul e Lagoa Verde, visitam-se de escuna ou lancha.

Existe um passeio de barco que visita várias praias?

Sim — os passeios de dia de escuna e lancha (como a 'Volta à Ilha' e as rotas do sul / 'Super Sul') emendam praias e paradas de snorkel. Algumas rotas dependem de mar bom e podem não sair com mau tempo.

Dá para nadar e mergulhar de snorkel em todo lugar?

A maioria das praias é calma e ótima para nadar. Lopes Mendes tem mais ondas (querida pelos surfistas). O melhor snorkel está nas lagoas abrigadas — Lagoa Azul, Lagoa Verde — e ao redor das ilhas menores.