Dicas práticas para a Ilha Grande (dinheiro, água, internet e mais)
A Ilha Grande é maravilhosamente selvagem — sem carros, sem bancos, mata atlântica de verdade — e é justamente esse o seu charme. Isso também significa que vale saber algumas coisas práticas antes de vir: não há caixas eletrônicos, a água da torneira não é potável, há quedas de luz e os mosquitos são reais. Nada disso é problema se você chegar preparado. Aqui vai tudo, de quem mora aqui.
Dinheiro: leve cartão, não maço de notas
Não há caixas eletrônicos nem bancos na Vila do Abraão, então não conte com sacar dinheiro aqui — resolva isso no continente. A boa notícia: cartões são amplamente aceitos em restaurantes, lojas e passeios de barco, e o PIX é muito popular. Você quase não precisa de dinheiro vivo; leve só um pouco de reserva.
Uma coisa para colocar no orçamento: a ilha é bem mais cara que o continente, sobretudo em mercado e comida, já que tudo chega de barco.
Internet & sinal de celular
- Sinal de celular: perto da costa e da vila, os três operadores (Claro, TIM, Vivo) funcionam — mas o sinal cai assim que você se afasta para o interior ou praias mais distantes. A Claro é a única que eu recomendo: de longe a mais confiável, enquanto as outras são ruins longe da costa. Leve um chip da Claro se puder.
- Wi-Fi na vila: mais ou menos. Chega por rádio, serve para mensagens e planejamento, mas não é confiável para trabalho remoto de verdade.
- Se você precisa trabalhar online, escolha uma hospedagem com Starlink. Ainda é raro na vila (nossa pousada tem duas antenas Starlink), então pergunte antes de reservar.
A Taxa Viva Angra (taxa de acesso)
Angra dos Reis cobra uma taxa ambiental de acesso, paga por QR code:
- R$50 se você tiver uma hospedagem legalizada e registrada reservada; R$100 caso contrário.
- Paga-se ao embarcar para a ilha, ou ao desembarcar da barca pública.
- Crianças, visitantes acima de 60 anos e moradores não pagam — só turistas.
Você recebe um bilhete com QR code — guarde no celular, porque vai precisar dele de novo na saída da ilha, não só na chegada. Ter a confirmação da reserva à mão também ajuda. (Valores e regras podem mudar, confira ao reservar.)
Água: sempre engarrafada, sem gelo
A água da torneira não é potável — como em todo o Brasil. Na origem é uma linda água de nascente da mata, mas o armazenamento, a filtragem e a desinfecção pelo caminho são precários: não arrisque.
- Beba água engarrafada e evite gelo em refrigerantes, sucos, vitaminas e smoothies — o gelo da ilha é feito com a mesma água.
- A dica de ouro: peça sempre sem gelo. Ao pedir qualquer bebida, diga “sem gelo, por favor”.
- Escovar os dentes e tomar banho é tranquilo.
- Uma piadinha minha: a única bebida gelada em que dá para confiar sempre é uma caipirinha — uns 25% de cachaça pura. É de brincadeira, claro; a regra de verdade é água engarrafada e sem gelo.
Saúde & farmácias
O Abraão tem duas farmácias e um posto de saúde bem equipado, com plantão 24 horas. O atendimento lá é gratuito, até para visitantes. Se acontecer algo, leve alguém que fale bem português para ajudar a traduzir — sua pousada ou hostel costuma conseguir isso.
Quedas de luz
Quedas de luz acontecem. Ficaram menos frequentes, mas os microcortes são comuns — em geral algumas horas, mais no período diurno, e só de vez em quando mais longos. Um power bank é uma boa ideia, principalmente se a bateria do seu celular for fraca.
Locomoção & bagagem — viaje leve
Não há carros na Ilha Grande. As ruas misturam areia, paralelepípedos e terra, e a bagagem é levada por carrinhos de mão (carrinho).
- O lado oeste da vila é todo calçado, então malas são administráveis ali (é onde fica a Pousada CostaVerde).
- O lado centro-leste é de terra sem calçamento, que alaga quando chove, dificultando carregar bagagem — em parte por isso a hospedagem ali é mais barata.
- O ideal é uma mala de bordo mais uma mochila que você mesmo carregue. As lanchas rápidas têm pouco espaço para bagagem.
- Contratar um carrinho para levar as malas também não é barato — em torno de R$70–100 por trajeto. Mais um motivo para viajar leve.
O que levar
- Repelente e protetor solar — inegociáveis
- Tênis de trilha (ou boas sandálias para dias secos)
- Uma capa de chuva ou poncho leve — traga o seu; aqui as pousadas em geral não emprestam guarda-chuva nem capa
- Um power bank
- Um cartão (e um pouco de dinheiro de reserva)
- Uma boa garrafa reutilizável — dica de ouro: os passeios de barco incluem água mineral à vontade, mas servem em copinhos descartáveis minúsculos, então uma garrafa economiza dinheiro (e sede)
- Os itens de higiene e cuidado pessoal que você achar caros — custam mais na ilha, então abasteça-se no continente antes
Para as trilhas, os barcos e a melhor época, veja nossos guias de como chegar, trilhas e melhor época.